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O pedido a meio da auditoria: 'comprove que este formando frequentou três ações'

O auditor escolhe um nome ao acaso e pede o histórico completo. É a pergunta que distingue uma operação organizada de uma que apenas parece organizada — e resolve-se numa ficha.

Nuno Nogueira
Empreendedor e Fundador da Training App
3 min de leitura
Três ações de formação verificadas e apresentadas imediatamente durante uma auditoria

O percurso do formando deve permitir responder a uma pergunta de auditoria sem procurar o mesmo nome em várias pastas e folhas de cálculo.

A auditoria ia bem. Os dossiers dos eventos estavam em ordem, as datas concordavam, o auditor acenava com a cabeça. E então, a meio, ele faz aquilo que os auditores experientes fazem: deixa de olhar para os eventos e olha para uma pessoa. Aponta um nome na lista — um qualquer, escolhido sem critério aparente — e pede para ver tudo o que aquele formando fez na entidade. As três ações que frequentou, as datas, as presenças, os formulários que preencheu, o diagnóstico inicial, a avaliação no fim.

É uma pergunta diferente de todas as anteriores, e propositadamente. Até ali, tudo se organizava por evento: este curso, aquelas sessões, este dossier. Agora pede-se um corte na perpendicular — não por evento, mas por pessoa, atravessando vários eventos ao mesmo tempo. E uma operação pode ter todos os dossiers de eventos impecáveis e, ainda assim, ser incapaz de responder a isto depressa, porque os dados estão arrumados de uma maneira e a pergunta vem da outra.

A resposta tradicional: procurar

Na arrumação tradicional, responder significa caçar. O formando aparece numa pasta do evento de março, noutra do evento de junho, numa terceira de outubro, e em cada uma há que reencontrar a folha de presenças certa, o formulário certo, a avaliação certa. Vinte minutos, com o auditor a ver. Vinte minutos durante os quais a pergunta deixou de ser sobre o formando e passou a ser sobre a entidade: se ela consegue, ou não, encontrar o que afirma ter.

A resposta pela ficha do formando

Numa operação em que cada formando tem uma ficha própria, a resposta é a ficha. Abre-se o nome e está lá o histórico inteiro: as ações que frequentou, com datas, os formulários que lhe foram enviados e quando os respondeu, os documentos gerados a seu respeito. O corte na perpendicular já está feito, porque o formando esteve sempre ligado a cada evento por que passou, em vez de ter sido copiado para dentro de cada pasta e esquecido lá. O auditor pede um nome; mostra-se-lhe a ficha; segue-se em frente.

O que esta pergunta testa, no fundo, não é se a documentação existe — isso já se viu nos eventos. Testa se a entidade conhece de facto a sua própria operação ou se apenas a arquivou. São coisas diferentes. Arquivar é guardar papéis numa ordem qualquer; conhecer é poder atravessá-los por qualquer ângulo que alguém peça, incluindo o ângulo que não se previu. O auditor escolhe um nome ao acaso precisamente para ver qual das duas tem à frente.

Para além da auditoria

Há um efeito secundário que vale a pena referir, porque ultrapassa a auditoria. A mesma ficha que responde ao auditor responde ao antigo formando que liga, dois anos depois, a pedir um comprovativo das ações que fez para juntar a uma candidatura. Responde à entidade empregadora que quer confirmar uma formação. Responde a um tribunal, se algum dia for preciso. A pergunta do auditor é só a primeira de uma família de perguntas que começam todas por “comprove que” — e todas elas se resolvem no mesmo sítio, pela mesma razão: porque a pessoa, na operação, nunca foi só uma linha numa pasta.

Percurso do formando: uma ficha, várias evidências

O percurso do formando reúne inscrições, ações frequentadas, presenças, respostas e documentos associados. Quando o percurso do formando está completo, uma pesquisa substitui a recolha manual em diferentes dossiers. A certificação coordenada pela DGERT reforça a importância da capacidade técnica e organizativa das entidades. Veja também como gerir os modelos do dossier técnico-pedagógico. Um percurso do formando coerente melhora o apoio ao cliente; um percurso do formando auditável reduz o tempo de resposta.

Sobre o autor
Nuno Nogueira
Empreendedor e Fundador da Training App

Trabalha em gestão de formação e automação de processos. Fundou a Training App para simplificar a forma como as entidades formadoras certificadas pela DGERT gerem a sua operação, e acompanha cada cliente desde a implementação até à evolução contínua da plataforma.

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