Autodiagnóstico por curso: deixar de medir tudo com a mesma régua
Um questionário inicial igual para todos os cursos mede pouco e serve para menos. Quando as perguntas pertencem ao curso, a resposta passa a dizer alguma coisa ao formador.

Um autodiagnóstico por curso mede o ponto de partida em função dos objetivos reais, em vez de repetir o mesmo questionário em toda a oferta formativa.
O autodiagnóstico é aquele questionário que o formando preenche antes da formação começar, a dizer o que já sabe sobre o assunto. A ideia é boa e antiga: saber com quem se está a lidar antes de abrir a primeira sessão. O problema raramente está na ideia. Está em fazer o mesmo questionário servir para um curso de higiene alimentar e para um de primeiros socorros, porque foi o que havia à mão.
Um questionário genérico mede sempre a mesma coisa: uma autoavaliação vaga, em três níveis, de um tema descrito em termos largos o suficiente para caber em qualquer curso. “Tem conhecimentos na área?” — nenhum, alguns, muitos. A resposta a isto é quase inútil para o formador, porque não lhe diz nada de acionável. Saber que metade da turma respondeu “alguns” a uma pergunta sobre “a área” não muda uma vírgula do plano de sessão. Mediu-se qualquer coisa; serve para nada.
A diferença que faz desenhar as perguntas para o curso é menos sobre rigor e mais sobre relevância. Num curso de higiene alimentar, as perguntas podem ser sobre temperaturas de conservação, sobre contaminação cruzada, sobre o sistema HACCP. Cada uma é uma competência concreta, e a resposta a cada uma diz ao formador onde a turma está fraca antes de ele entrar na sala. Se ninguém sabe nada de contaminação cruzada e toda a gente domina as temperaturas, o formador sabe onde gastar o tempo. O diagnóstico volta a fazer aquilo que o nome promete: diagnosticar.
Na prática, as perguntas pertencem ao curso, não a cada ação. Definem-se uma vez, no curso, e passam a ser aplicadas automaticamente a todas as ações que dele derivam — com a escala comum de sempre, nenhum, pouco, muito, que mantém as respostas comparáveis entre turmas. Quem cria um novo evento daquele curso não tem de voltar a pensar no questionário; ele vem agarrado ao curso, como o referencial ou o cronograma. Mudar uma pergunta no curso muda-a em todas as ações seguintes, de uma vez.
Há duas regras simples que separam um bom autodiagnóstico de um mau, e nenhuma é técnica. A primeira é uma competência por pergunta: perguntas que metem duas coisas ao mesmo tempo produzem respostas que não dizem qual das duas o formando sabe. A segunda é a contenção — três a oito perguntas chegam quase sempre, porque o objetivo é orientar o formador, não examinar o formando antes de a formação começar. Um questionário inicial longo de mais afasta justamente as pessoas que mais convinha ouvir.
O retorno disto aparece duas vezes. Na sala, no primeiro dia, com um formador que entra já a saber onde a turma precisa dele. E mais tarde, nos dados: quando as respostas iniciais se comparam com a avaliação no fim, vê-se o que a formação de facto acrescentou, curso a curso. Isso interessa à melhoria contínua e interessa à auditoria, que aprecia ver uma entidade a medir a sua própria eficácia. Mas tudo isto só funciona se a pergunta inicial tiver valido a pena fazer — e uma pergunta só vale a pena quando foi feita para aquele curso, e não para curso nenhum em particular.
Autodiagnóstico por curso: o que vale a pena perguntar
O autodiagnóstico por curso deve ajudar o formador a decidir, não apenas produzir uma percentagem. Para isso, cada pergunta precisa de estar ligada a uma competência, permitir comparação posterior e chegar ao formador antes da sessão. O autodiagnóstico por curso funciona melhor quando nasce do mesmo catálogo que define objetivos e conteúdos. Consulte também os formulários da formação que podem ser automatizados e o enquadramento das entidades formadoras certificadas. Um autodiagnóstico por curso específico produz menos respostas genéricas e uma preparação mais útil.
Três critérios para as perguntas
- Ligar cada pergunta a uma competência definida no curso.
- Permitir comparação posterior com resultados e avaliações.
- Entregar o resultado antes da sessão a quem vai adaptar a formação.
Trabalha em gestão de formação e automação de processos. Fundou a Training App para simplificar a forma como as entidades formadoras certificadas pela DGERT gerem a sua operação, e acompanha cada cliente desde a implementação até à evolução contínua da plataforma.
Veja a Training App a trabalhar.
30 minutos, com os seus cursos e o seu processo como ponto de partida.


